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Madrugando
Era madrugada e a luz de um prata minguante como a lua
Prestes a ser tragada pelo breu noturno do horizonte
Convidara-me a sentir de perto a brisa gélida da noite,
Uma vez tomado pela insônia, algoz companheira de um leito vazio,
Aventurei-me em íngremes falésias até a esplêndida enseada.
A arrebentação espalhara ao longo da faixa branca
Algas mortas que dispersadas em desértica planície
Da praia que me acalmava,
Sucumbiam sob tênue luz d’uma meia lua
Solitária tal qual minh’alma.
Caminhava sem deixar pegadas sobre a vegetação que agonizava
E barulhentas como ressacas tenebrosas,
Ondas do mar que me acariciava com maresia corrosiva,
Lavavam meus passos enquanto a água salgada
Homogeneizava-se com minhas lágrimas pela trilha deixadas.
Lágrimas insanas, derramadas por um amor platônico!
Que cismava em trazer à tona lembranças tortas
De passagens julgadas esquecidas.
Por que, se deveras defuntas,
Intentavam jazer-me sobre as algas da maré alta?
Enfim, a lua mergulhou e o sol resolveu surgir
Sobre as águas acinzentadas d’um oceano recuado pela maré já baixa,
Crepusculando tímidos raios num caminho dourado do horizonte à areia.
Então modorrento, escalei os tons pardacentos que compõem as grimpas das falésias
A tempo de me despedir do leito onde largara os lençóis desfeitos.
Um longo dia, sem pressa, arrasta-se até a próxima noite mal dormida...
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Texto: Amalri Nascimento.
Foto: Amalri Nascimento (Falésias da Praia da Barreira do Inferno - Natal/RN).
02/07/2009 Publicada por Amalri Nascimento
Era madrugada e a luz de um prata minguante como a lua
Prestes a ser tragada pelo breu noturno do horizonte
Convidara-me a sentir de perto a brisa gélida da noite,
Uma vez tomado pela insônia, algoz companheira de um leito vazio,
Aventurei-me em íngremes falésias até a esplêndida enseada.
A arrebentação espalhara ao longo da faixa branca
Algas mortas que dispersadas em desértica planície
Da praia que me acalmava,
Sucumbiam sob tênue luz d’uma meia lua
Solitária tal qual minh’alma.
Caminhava sem deixar pegadas sobre a vegetação que agonizava
E barulhentas como ressacas tenebrosas,
Ondas do mar que me acariciava com maresia corrosiva,
Lavavam meus passos enquanto a água salgada
Homogeneizava-se com minhas lágrimas pela trilha deixadas.
Lágrimas insanas, derramadas por um amor platônico!
Que cismava em trazer à tona lembranças tortas
De passagens julgadas esquecidas.
Por que, se deveras defuntas,
Intentavam jazer-me sobre as algas da maré alta?
Enfim, a lua mergulhou e o sol resolveu surgir
Sobre as águas acinzentadas d’um oceano recuado pela maré já baixa,
Crepusculando tímidos raios num caminho dourado do horizonte à areia.
Então modorrento, escalei os tons pardacentos que compõem as grimpas das falésias
A tempo de me despedir do leito onde largara os lençóis desfeitos.
Um longo dia, sem pressa, arrasta-se até a próxima noite mal dormida...
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Texto: Amalri Nascimento.
Foto: Amalri Nascimento (Falésias da Praia da Barreira do Inferno - Natal/RN).
02/07/2009 Publicada por Amalri Nascimento
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